terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sim, é só isso. Ou tudo isso.


A postagem sobre minimalismo gerou uma observação muito interessante da Viviany, do blog Dona House.
Agradeço o comentário, principalmente por dar oportunidade de ampliar a postagem.

O minimalismo, embora cause a sensação de frieza na maioria, é também a representação de um estilo de vida.
Tanto o autor do projeto quanto o usuário da moradia, não têm essa sensação de frieza, mas sim uma sensação de preenchimento completo.

Definitivamente não é um estilo que tem um apelo comercial ou feito para vender revista, justamente pela sua autenticidade e simplicidade.
Porém, toda essa simplicidade é somente aparente, visto que a complexidade de um ambiente minimalista autêntico está justamente em não ultrapassar o essencial.
Nesse caso, entenda como essencial não os objetos e móveis fundamentais para um dia-a-dia, mas para a expressão total do conceito minimalista.

Se você está se perguntando para que serve isso, a resposta é simples: mesmo quando você não se identifica com um determinado estilo, é muito importante conhecê-lo.
Na decoração esse é um ponto importante. Pode parecer que não, mas o minimalismo contribui em muito para o aprendizado de não exceder, de saber dosar e equilibrar.

Uma outra contribuição do minimalismo é aprender sobre sofisticação.
Gostando ou não, fica muito evidente que um ambiente minimalista, apesar de não ter muitos elementos, é sofisticado. E aí está a sua maior dificuldade de realização.
O conceito "menos é mais" é muito atual, principalmente quando estamos sendo invadidos por um marketing que não nos pergunta "você precisa disto?" mas nos impõe "você precisa disto!"

Infelizmente, o minimalismo está restrito à elite e nunca vai chegar às classes populares.
Nesse caso, não é uma questão de dinheiro.
É somente cultura.

A foto que ilustra esta postagem é a capa do livro MNM, Minimalist Interiors, publicado por Watson-Guptill Publications, 2000.

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Marcele Silveira 11 de novembro de 2008 10:52  

Carlos, tudo bem? Eu gostei dos dois posts sobre minimalismo. Achei tudo muito válido, inclusive a explicação acerca do tema. Duas, coisas, porém, me incomodam.
O primeiro incômodo, talvez, ocorre pelo fato de eu ter estudado em uma escola que pregava, claramente, os conceitos modernistas. Sendo assim, acho difícil definir um movimento como estilo. Não acho que exista um "estilo minimalista". São vários conceitos que se unem para gerar um modo de vida.
A segunda coisa provém da primeira. Quando se define um movimento como estilo, dá-se que ele só é acessível a uma camada da sociedade. E eu acho que o minimalismo é utilizado por várias camadas da sociedade, ou por necessidade, ou por uma escolha de vida.
Para mim, o minimalismo, também, não é feito, somente, por linhas retas e sóbrias. Na verdade, não sou muito chegada a Niemeyer, mas ele é um arquiteto que sabe fazer obras minimalistas (não são todas), sem, contudo (e como você disse) deixar de ter personalidade.
O Lúcio Costa era outro que tinha o dom da coisa e nem por isso deixava de fazer uma obra com personalidade e, o mais importante, com características brasileiras.
Como último exemplo, temos os profssionais que estão pesquisando medidas para reutilização de materiais na construção de novas obras, em prol da sustentabilidade e continuando com a máxima "menos é mais".
Essa é a minha opinião!
Grande Abraço!

bade 11 de novembro de 2008 11:06  

Olá, Marcele.
Comentário interessante. Eu ainda prefiro o termo estilo. Acho a palavra movimento demais para o minimalismo, principalmente quando aplicada à decoração.
Mas é uma questão de interpretação e talvez de precisão da linguagem.
Um abraço,
Carlos - DecorandoTudo!

Talma 11 de novembro de 2008 22:12  

Perguntinha básica, de leiga: por que o minimalismo nunca vai chegar às classes ditas 'populares'?

bade 13 de novembro de 2008 08:35  

Olá, Talma.
Na minha opinião não chega porque não é sinônimo de falta de recursos.
Quanto às quincas, tá aí uma coisa que eu também gostaria de saber...
Um abraço,
Carlos - DecorandoTudo!