segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mais ou menos um pouco disso.


A cidade nos influencia ou nós influenciamos a cidade?
Nós influenciamos a cidade, porque ela é uma ampliação do nosso círculo de convívio social.
Conviver é bom, faz bem e nos ensina muito.

Vivemos em células e por algum motivo, que somente sociológos poderiam explicar melhor, estamos separando essas células e impedindo a formação de um sistema celular.
A idéia básica de uma casa é que todos os seus cômodos convivam entre si.
Estando essa casa em um bairro, prédio ou condomínio permanece a idéia de convivência.
E os bairros estando em uma cidade é normal que convivam também.

O problema é que não basta a convivência desses elementos urbanos e materiais. Não temos cidades funcionando como um sistema celular se não temos pessoas interagindo entre si.
O funcionamento de uma residência atual mostra um isolamento total dos seus moradores.
A cozinha deixou de ser o lugar de cozinhar (compra-se pronto) e a sala não é mais o lugar de estar.
Conseqüentemente uma casa está deixando de ser uma casa.

Uma casa passou a ser um agrupamento de quartos, cada qual com o seu mundo particular.
Chegará o dia no qual cada um terá a sua geladeira no quarto para não ter o trabalho de ir até a cozinha. E nós, consumidores do conforto, vamos achar isso muito chic.
Se um publicitário fosse fazer um anúncio honesto (coisa impossível para um publicitário) de um apartamento, mostraria somente os quartos e colocaria como título "Tudo o que uma família precisa em um apartamento".

É dificil entender porque ainda vendem a varanda, a sala integrada com a cozinha, um cubículo com o suntuoso nome de Hall de Entrada, uma churrasqueira no térreo (que nunca será usada) chamada de Espaço Gourmet e mais um monte de outras coisas alojadas confortavelmente em 80m².
Um arquiteto esperto faria um apartamento com quartos maiores, com uma cozinha, um banheiro e uma sala dentro de cada um dos quartos.

Estamos transpondo tudo isso para a cidade.
E, de repente, ficamos de mau humor quando um desconhecido nos dá bom dia.

Acredite, o desconhecido só estava tentando conviver, participar e dividir.
Ele não ia assaltá-lo.

3 Faça um comentário:

Marcele Silveira 3 de novembro de 2008 14:37  

Olá Carlos. OLha eu aqui de novo!
Concordo que a cidade é uma extensão da nossa casa e concordo que a convivência entre as pessoas de uma cidade é o que a torna mais familiar. Concordo também que o individualismo está tomando conta das pessoas a tal ponto de elas não interagirem entre si no ambiente em que moram. Mas acho que essa população está sendo bombardeada por dois discursos que se contrastam: o primeiro diz sobre a individualidade e o segundo diz sobre a integração. Nesse ponto, eu acho que as pessoas se perdem e começam a confundir individualidade com privacidade, integração com curiosidade.
A moradia, no entanto, é o porto seguro desse problema (daí, eu acho que vem um certo individualismo) e, por ser o porto seguro, muitas pessoas tentam transpassar para a planta (ou procuram encontrar no que tem disponível) seus anseios. Eu, por exemplo, interpreto o boom das cozinhas integradas ou cozinhas com ilhas, como uma antiga releitura do que éramos acostumados quando mais jovens ou crianças: a reunião da família para conversar e se alimentar.
É por isso que acredito que a estratégia de marketing venda tanto, ainda. Para quem opta pelos apartamentos ou condomínios, mesmo sabendo que muitas áreas não serão utilizadas, a pessoa tem a sensação de conforto e aconchego, coisa que pode se perder com o individualismo.
Pra finalizar, não seria a melhor pessoa a comentar o assunto, visto que moro em uma cidade pequena, onde as relações entre moradores são intensas, mas não sou das mais sociáveis; sou muito na minha. Mas, pra variar, viajei nesse assunto e essa é a minha opinião!
Abraços!

Talma 3 de novembro de 2008 17:38  

A culpa é da televisão!
Na minha casa ( a que carrego nas costas) cada um tem uma: dá prá ter uma no banheiro, na cozinha, até no corredor se alguém quiser!! E cada um assiste ao que quer, sem perturbar o gosto dos demais.
Agora, com as de plasma, o céu é o limite!
Exageros à parte, quando vamos para a Casa da Uva, onde só tem uma ( coitados!) somos "obrigados" a conviver juntos e democraticamente na sala, assistindo jornal ( meu filho detesta) novelas ( eu e marido detestamos) e filmes porcarias que meu filho até nem curte também, mas que na falta de uma parabólica ou algo semelhante, serve. E é uma delícia!
No tempo em que poucos tinham uma tv, os rádios eram à válvula e demoraaaaava a funcionar, éramos mais pacientes. A comida não era congelada, microondas nem pensar, os carros eram chamosas carroças espaçosas - quase carruagens, se compararmos com essas casquinhas de ovos modernas que andam voando por aí. Enfim, a modernidade nos tornou individualistas, apressados, estressados e solitários nas nossas suítes.
Bom questionamento.
Abraços!

Cris Ventura 4 de novembro de 2008 08:45  

E a casa deve ser um lugar especial, sagrado e de convivência integrada e não individual...Ô mundo maluco em que vivemos desconfiados de tudo e todos...Temos que resgatar a convivência pra viver melhor!