sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Desaioquê?

O que faz um designer?
Você conseguiria responder com 1 palavra e ser muito preciso, sem deixar nenhuma dúvida?
É muito simples, basta dizer "desenha". Pois é, meu caro, um designer nada mais é do que um desenhista, uma pessoa que faz desenhos.

Por definição, todo desenhista precisa saber fazer "design", que nada mais é do que um desenho. Dito assim, cruamente, todo o glamour que essa profissão acumulou diminui.
Esse nome metidinho de designer talvez tenha sido adotado por preconceito à palavra desenhista.
Ou por incompetência, haja visto que atualmente existem mais pessoas se entitulando designers no setor de decoração do que mocinhas siliconadas se entitulando modelos em desfile de carnaval, porque a palavra designer esconde da maioria que sua função básica é saber desenhar.

Se fosse por preconceito, seria melhor porque preconceito um dia acaba. Vide Obama.
Mas se for pela incompetência, não tem como acabar. É uma coisa que cresce e abafa o bom senso. Vide Lula.

Uma das bandeiras levantadas pelos nossos designers é a criação da chamada identidade Brasil.
Imediatamente penso em tucanos, araras e bundas na praia.
Não tem jeito, você também deve ter pensado nisso.
É um paradoxo (afirmação, na mesma frase, de um conceito mediante aparentes contradições ou termos incompatíveis). Nunca vai existir uma identidade Brasil enquanto tivermos designers.
É coisa para inglês ver.

Um dos problemas dos nossos designers é querer o glamour e preferir as festas com champagne. Eles não querem sair à luta e desenhar para a Casas Bahia ou para a Insinuante*.
Ainda durante muito tempo vamos continuar vendo artesanato sendo vendido como objeto de design, como a boneca de Caruaru com vestido florido que foi copiada pelo Brasil inteiro e que você encontra em todas as lojas de presentes e decoração do país.
O artesanato é uma manifestação regional e tem muito a ver com a preservação da nossa identidade cultural.
Compre a boneca de Caruaru quando você for a Caruaru e deixe para comprar a cuia para chimarrão quando você for ao Rio Grande do Sul.

Os designers nacionais precisam esquecer Milão e você parar com os blogs que ficam fazendo copy e paste de coisas legais, mas só de designers estrangeiros.
Se você quer ajudar na criação do desenho nacional, tenho umas sugestões:

1- deixe os tucanos onde estão, inclusive protegendo-os da extinção.
2- separe artesanato de peça com desenho, ou design, como preferir (você já faz isso com o lixo, vai ser fácil).
3- incentive o artesanato regional.
4- consuma o desenho nacional.
5- entenda que desenhista é um profissional, igual ao dentista ou ao encanador e não um artista.

* A Margareth me ensinou que onde não tem Casas Bahia tem a Insinuante, uma loja bem parecida.

4 Faça um comentário:

Marcele Silveira 1 de novembro de 2008 10:10  

Como você consegue ser sincero, Carlos! Me admira muito! Não tenho tanta coragem de colocar a cara para bater. Já basta tentar me defender dos preconceitos da arquitetura... Mas o post, como sempre, está muito bom e, para variar, me faz parar para pensar a respeito do que divulgo!
A propósito, você falou sobre identidade brasileira, não? Meu mestrado discute sobre identidade na arquitetura. Coisa difícil de se definir com apenas uma palavra, mas foi uma ótima idéia para eu discutir no meu blog. Vamos ver se semana que vem faço isso!
Bom final de semana!

Talma 1 de novembro de 2008 20:28  

Rá! Eu moro em João Pessoa e aqui NÃO tem casas Bahia, portanto...eheheh, havemos Insinuante....rsss.

Cris 2 de novembro de 2008 20:33  

Fuxicando, fuxicando, encontrei esse blog. Muito legal!! Sempre que der, vou vim visitá-lo! Beijos,

Cris.

Cris Ventura 4 de novembro de 2008 08:43  

Já estudei esse mercado das Casas Bahia (na época que trabalhei com marketing), além da Insinuante tem outra loja que se chama Ricardo Eletro (acho que é no nordeste).