quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Aquela garrafa pet que você reciclou não vai salvar o planeta.


Um belo dia você resolve mudar de atitude para ajudar o planeta, reciclando.
Uma garrafa pet, uma tesoura, uma pistola de cola quente, alguns picotes e cortes na garrafa e pronto!
Ela se transforma em uma luminária. Muitas vezes de gosto duvidoso e, passada a onda, vai parar no lixo reciclável.
Sua luminária não serviu para muita coisa, nem para decorar e muito menos para salvar o mundo.
Para cada garrafa pet que você tenta tirar de circulação, outras milhões são colocadas no mercado.
Não vai ser esse o caminho, vai servir apenas para enganar a sua consciência.
Mas aí você diz "mas eu reciclo, separo o meu lixo". Enquanto postura, é ótimo.

Mas reciclar as suas garrafas pet também não vai resolver, infelizmente.
Quando você recicla as suas garrafas, você está fornecendo matéria-prima barata para a indústria do plástico. Em outras palavras, trabalhando de graça.
Radical? Não, nem um pouco. Antes de discordar, pense um pouco.
Quanto você recebe para fazer esse serviço?
E para onde vai esse plástico que você reciclou?
A indústria paga quanto por esse plástico?

Ela recompra esse plástico por um valor muito baixo e reprocessa-o. E continua comprando matéria-prima para fabricar plástico virgem, pois o consumo é sempre crescente.
O plástico reprocessado ela vende de novo para você, transformado em outros produtos.
Funciona assim: você paga na primeira vez e devolve para eles sem receber nada, eles revendem para você e você devolve de graça novamente para eles, eles tornam a revender e esse ciclo vai se repetindo até eles nunca mais conseguirem fazer nada com o plástico.
Nessa hora eles descartam o plástico na natureza.

E qual a solução?
Uma delas é parar de consumir plástico, parar de aumentar a lucratividade desses sujeitos e diminuir esse ciclo.
Evite tigelinhas e potinhos de plástico, coisinhas fofinhas e todo o resto.
Pratique o consumo responsável. Comece a ser seletivo na compra, quando não tiver opção, tente não comprar.
Vai fazer bem para o seu bolso e para o planeta.

Compre somente quando for inevitável.
Até porque não existe macarrão, iogurte ou refrigerante sem ser no plástico.
É impossível? Não é.
Mas isso fica para uma outra postagem.

6 comentários:

Isabel Cristina disse...

Oi carlos, vc sempre fundindo nossa cuca! rs. Eu ainda não tinha pensado neste lado da reciclagem, é bem ácido,né? Mas eu não sou muito chegada a reciclagem de pets, apesar que tem muita coisa interessante feita com este material. Quando penso em reciclagem, reaproveitamento, penso em uma mudança de atitude, em frear o consumismo. Como vc disse, comprar menos, produzir menos lixo. Agora é bem difícil fugir das embalagens de plástico. Hoje em dia tudo é feito de plástico, tudo é feito para durar pouco e vc comprar mais. Beijos

Talma disse...

Hummmm....agora fiquei curiosa.
Confesso que já tinha pensado nessa questão, basta ver como agem os síndicos quando resolvem fazer coleta seletiva nos prédios, cujo lucro converte-se em benefícios para os condôminos nas mais diversas formas. Também é um paliativo, mas aí entra a questão apenas do benefício imediato- fora a sensação de 'salvei o planeta'.
Sobre não consmumir plástico pensei quando, certa vez, num desses canais Discovery da vida vi uma reportagem sobre o Expresso do Oriente, em que um funcionário encarregado do vagão-restaurante disse, com certo ar de nojo: " aqui nada é de plástico!"
Fiquei imaginando como seria a vida sem esse material. Fiz aquele exercício mental básico, tentando lembrar como era o meu iogurte, quando pequena. Fazíamos com "bichinhos" mesmo. Ano passado, consegui alguns e voltei à infância ( mas não os tenho mais).
Lembrei também do leite: seu Bija era o nome do nosso leiteiro, cuja égua "Bunecra", sabia exatamente em frente de qual casa parar.
O café era passado no coador de pano e café instantâneo, era caríssimo!
Queria muito ver o mundo depender menos do petróleo e seus derivados.
Abraços!

Talma disse...

Vixe...o assunto não acaba, mas aqui vai ( quem mandou abrir a brecha):
Minha mãe mora num sítio, distante 6 km da cidade e onde não passa coleta de lixo, não tem água da empresa local e muitas dessas nossas mordomias. Lixo orgânico vira adubo ( hoje já existem minhocários que vc pode ter no seu apartamento) a água captada da chuva, vai para a sisterna e a água de consumo vem de um poço artesiano comunitário. O grande problema dela é se livrar do lixo reciclável, uma vez que ela não tem carro e raramente vai à cidade. O sítio é só uma célula do planeta, mas que ilustra bem a responsabilidade de cada um pelo seu lixo, pelo reuso das águas cinzas, o tratamento do esgoto, o uso racional da água e por aí vai.
Nossa, isso dá pano para várias mangas...rsss.
Abraços!

Mara Fernanda disse...

nossa! texto seu?
fantástico!
me fez refletir muito. que coisa!
se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! O que faremos então? esperar alguma titude das indústrias? espero que não. tomara que apareça uma solução e rápida!

Cris Ventura disse...

Infelizmente há muitos mistérios sobre a reciclagem...Mas com certeza planejar antes de consumir já é o primeiro e melhor passo...evitamos o desperdício e economizamos!Bjs!

Anônimo disse...

Olá, estava passando e vi luzes, resolvi entrar.
comento sobre sua posição qto ao lixo que tentamos reciclar, e que nos acusam (os mais ingênuos) de que somos os responsáveis, individualmente pelo fim do mundo.
Sua posição é politicamente muito lúcida. Muito legal e muito raro alguém pensando na contra-mao do senso comum.
Bom, é isso aí. E ainda por cima, vc tem muito bom gosto!
Abraços
Jacqueline Goulart
velejadora - Floripa